Um pouco da minha história

 

Victor Santos

Victor Santos é pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV, cofundador e diretor da Negocioteca.

Apaixonado pelo universo dos micronegócios decidiu empreender para ajudar outros empresários e empresárias que tem vontade de crescer.

Esse é um pequeno pedaço da minha história…

Um sonho de garoto

Durante toda minha infância e adolescência alimentei um sonho, uma paixão que provavelmente já nasceu dentro de mim. Desde muito novo queria porque queria ser jogador de futebol. Eu era aquele tipo de criança que conseguia jogar futebol com absolutamente tudo e em praticamente todos os lugares. Se desse para chutar, lá estava eu jogando. Joguei com latinha, com amêndoa, com almofada, com bola de meia, com bola dente de leite e com bola de couro… O que eu queria era jogar.

Não foram poucas as vezes que joguei futebol dentro de casa, com uma pequena almofada, fingindo que estava em pleno Maracanã, jogando pelo meu time do coração e fazendo o gol da consagração. Era muito engraçado e eu me divertia demais fazendo isso. Pulava de um lado para o outro sendo o goleiro e o jogador ao mesmo tempo. Fazia defesas incríveis e dava chutes fantásticos.

Não sei se você consegue visualizar exatamente a cena, mas só por aí já dá para perceber como eu era (e ainda sou) apaixonado pelo jogo em si.

A medida que fui crescendo, meus pais logo me colocaram para praticar esportes, pois queriam estimular o meu desenvolvimento. Os escolhidos para isso foram judô e futsal.

Eu gostava muito de fazer judô e cheguei inclusive a lutar valendo medalha. Foram apenas duas lutas, sendo que uma ganhei e outra perdi. No entanto, apesar de gostar de praticar o judô, eu ficava verdadeiramente entusiasmado era com os treinos de futsal.

Talvez seja, por isso, que eu me recorde até hoje do dia em que minha mãe veio até mim e disse que eu deveria optar entre uma atividade ou outra, já que ela não teria mais como pagar as duas coisas. O que vocês acham que eu escolhi? Futsal, claro! Minha resposta foi instantânea, tão instantânea quanto o período que continuei treinando, pois pouco tempo depois de deixar de pagar o judô, minha mãe precisaria deixar de pagar o futsal. A situação em casa estava complicada.

Deixar de praticar o judô não me deixou realmente triste, mas quando precisei parar o futsal, senti o golpe. Fiquei triste durante algum tempo, mas logo estava recuperado do baque, pois um amigo havia me chamado para treinar em uma escolinha de futebol de areia onde não havia mensalidade. Nunca havia jogado futebol de areia até então, mas logo tomei gosto.

Treinei durante muitos anos na praia e em paralelo a isso passei a treinar na equipe de futsal da escola que estava estudando. Foi uma época muito legal, pois disputava campeonatos com o time da praia e também com o time da escola, sendo que em ambos os casos consegui ganhar medalhas.

Respirei futebol durante toda minha infância e adolescência, mas até os 15 anos de idade jamais havia passado por uma peneira. Era a hora de dar um passo adiante.

Lembro muito bem da primeira peneira que eu fiz. Era verão no Rio de Janeiro e estava um calor escaldante. O campo era de terra batida e não havia uma árvore por perto para se proteger do sol. Imagina só o que é jogar futebol debaixo de um sol de 43ºC, em um campo de terra batida que mais parecia carvão em brasa. Não foi nada fácil e o resultado final também não.

Dos meus 15 aos 18 anos de idade realizei 5 peneiras e na maioria delas tive um rendimento apenas razoável. Hoje acredito que se tivesse tentado jogar futsal profissionalmente talvez tivesse mais chances, mas o estrelato dos grandes palcos é que faziam meus olhos brilharem. No final das contas, jogar futebol profissionalmente não passou de um sonho bonito de criança.

Perceber que aquilo com o que havia sonhado durante anos e anos não iria acontecer me deixou um pouco desanimado, mas já nessa época tinha outros planos em mente ainda relacionados ao mundo da bola. Pensava em ser treinador de futebol e um dia poder trabalhar em um grande clube aqui no Brasil. Sabia exatamente o que devia fazer para começar a colocar esse novo projeto em prática. Estava na hora de prestar o vestibular.

Passando no vestibular

Era o ano de 2004 quando comecei a me preparar para o vestibular e naquele ano, por incrível que pareça, não estava muito disposto a me esforçar além do necessário. Era uma atitude um tanto quanto arriscada, afinal, se tinha um sonho a lógica era que me dedicasse 110%, mas resolvi levar a ano letivo sem maiores preocupações e isso, obviamente, foi motivo de grandes discussões com minha mãe.

Sentava com meus amigos no fundo da sala e muitas vezes não prestava atenção nas aulas. Uma atitude completamente irresponsável para quem queria passar no vestibular da UFRJ, mas de certo modo algo me dizia que, no final, tudo iria dar certo.

Lembro que foi um ano bastante curioso e uma lembrança em especial me vem a memória nesse momento. Desde o começo meu alvo era a UFRJ, não pensava em fazer faculdade em outra instituição e, por isso, realizei a inscrição em outra universidade, pura e simplesmente, para servir de teste para o que eu realmente queria.

Teste maldito, devo dizer! O resultado da prova foi pior do que o esperado e isso, obviamente, me deixou meio temeroso, pois se aquilo era só um teste para o vestibular da universidade que eu realmente queria, algo ia muito mal.

Foi isso inclusive que levou minha mãe a dizer, antes mesmo da prova para a UFRJ, que teríamos que procurar um cursinho pré-vestibular para o ano seguinte. Vocês podem acreditar nisso? Tamanha falta de fé de que eu iria conseguir não me abalou e eu lembro exatamente as minhas palavras quando ela disse isso -“Não se preocupe com isso. Eu vou passar”. Pretensioso ou muito autoconfiante, o fato é que cumpri com o que falei e passei de primeira no vestibular que eu queria. O primeiro passo havia sido dado.

Correndo atrás de um novo velho objetivo

Uma vez dentro da universidade pude me sentir um pouco mais próximo do meu novo sonho, que era ser um treinador de futebol.

Era o ano de 2005, mais precisamente o segundo semestre, quando eu pisei pela primeira vez no campus da UFRJ. Confesso que naquele momento senti um enorme orgulho por estar lá.

É engraçado notar que tudo aquilo que falam antes de entrarmos na faculdade é verdade. As pessoas dizem que sair da escola e entrar na faculdade é um divisor de águas, mas você enquanto adolescente e sabe tudo, não leva muito a sério. No entanto, basta você pisar no campus para ver que tudo mudou.

Passei por inúmeras situações que jamais havia passado. Do trote enquanto calouro as festas realizadas no campus, das amizades antigas e ainda firmes aos novos amigos. Da curtição as responsabilidades. Quanta diferença! A época de faculdade foi realmente transformadora e tudo estava apenas no começo.

No primeiro ano de faculdade, por exemplo, entrei para a equipe de futebol da UFRJ, mas já nesse momento ficava bastante atento ao cargo de treinador. Foi inclusive pensando nisso que eu resolvi aproveitar uma pequena brecha que surgiu na equipe, quando o então treinador pediu para sair. Eu me candidatei a vaga e como era o único candidato não foi muito difícil ganhar, mesmo sendo apenas um aluno.

Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, como falta de condições para treinar, tenho boas lembranças daquela época. Bons tempos aqueles em que reuníamos o time e nos fins de semana jogávamos o Campeonato Carioca Universitário. Foi uma empreitada muito interessante, não pelos resultados em si, que na sua maioria não foram bons, mas pela amizade que foi formada com o grupo que se dispunha a vestir a camisa e entrar em campo.

Como toda boa história, a minha como treinador da equipe de futebol da UFRJ, também teve um início, um meio e um fim, que ocorreu logo após o término do Campeonato Carioca Universitário. Foi uma curta passagem, mas que serviu como grande aprendizado.

O começo de uma virada

Chegamos em 2007 e esse realmente foi um ano especial. Pela primeira vez, conscientemente, saí do país. Digo conscientemente, porque aos 3 anos de idade já havia saído, mas não me recordo de praticamente nada daquela experiência, portanto…

Foi uma viagem incrível que fiz com minha mãe para o Chile e para a Argentina e que mudou muita coisa na minha vida.

Na época, antes mesmo de viajar, estava meio desiludido quanto ao mercado de trabalho da Educação Física e creio que vocês possam imaginar o porquê. Nem mesmo a busca pelo meu sonho  parecia me empolgar e, por isso, resolvi tomar uma atitude. Era hora de estagiar em um clube de futebol.

Vocês conseguem imaginar a felicidade que senti quando consegui um estágio em um grande clube do futebol carioca? Fiquei extasiado quando vi que havia conseguido. Não que houvesse um processo seletivo e tudo mais, mas é que até aquele momento, esse era um mundo que parecia estar trancado a 7 chaves. Agora não mais!

Comecei a estagiar, de graça, no início do ano e pretendia ficar pelo menos 1 ano por lá. Pretendia do verbo não fiquei. Apenas 6 meses depois de começar a estagiar pedi para sair. Pode parecer loucura em um primeiro momento, mas o fato é que dos 6 meses que fiquei por lá, vi os profissionais trabalharem e não receberam por 4 meses. Essa, definitivamente, não era a vida que eu queria para mim, afinal não iria estudar durante 4 anos para não receber nada. Foi o meu adeus ao mundo da bola profissional e o meu olá definitivo ao mundo dos peladeiros apaixonados por futebol.

É difícil dizer o que senti quando resolvi abadonar uma ideia que alimentei por tanto tempo. Não esperava que as coisas pudessem terminar assim e na verdade, sequer imaginava que as coisas poderiam não dar certo. Nesse momento assimilei uma lição que aprendi com a vida: podemos planejar, mas as coisas, ainda assim, podem não sair conforme o planejado. É uma lição difícil de assimilar quando se trata de um sonho, mas que não é o fim do mundo.

Abandonar meu sonho de garoto só fez aumentar a falta de motivação que vinha sentindo com relação a faculdade e, em razão disso, quase tranquei minha matrícula, algo que minha mãe só descobriu no momento em que comecei a escrever esse texto.

Guardei esse segredo e a aflição que vinha sentindo dentro de mim, mas em dado momento resolvi compartilhá-la com minha namorada, amiga e confidente que me apoiou bastante e não me deixou desistir. Sábias palavras! Não fosse ela ter me aconselhado eu não teria passado por algo que mudou a minha visão de futuro com relação ao que eu queria fazer profissionalmente.

Essa fase da minha vida se chama conhecendo o empreendedorismo.

Um novo mundo chamado empreendedorismo

Tudo começou em 2008 quando fiz uma viagem de estudo a São Paulo, onde participei de um curso ligado a ciência do esporte e durante o qual tive o prazer de conhecer uma nova modalidade de treinamento físico: o treinamento funcional.

Fiquei muito curioso a respeito dessa nova modalidade e dos ganhos que as pessoas poderiam ter ao realizar essa atividade e, por isso, resolvi fazer uma pesquisa e pesquisando encontrei um Studio de fitness que trabalhava com o treinamento funcional de uma maneira muito interessante.

Naquele momento, assistindo aos vídeos demonstrativos de treino, descobri minha vocação empreendedora.

Coloquei na minha cabeça que queria porque queria abrir um Studio de treinamento funcional e ter meu próprio negócio e comecei, assim, a mexer os meus pauzinhos. Não sabia exatamente por onde começar, afinal nunca tinha sequer pensado em abrir uma empresa e minha formação não contemplava essa possibilidade, mas de uma coisa eu tinha certeza… Precisava começar a levantar capital.

Nessa época eu realizava um estágio que me pagava apenas uma pequena ajuda de custo e que na verdade não cobria os meus custos, ou melhor dizendo, não cobria nada. Devido a isso e pensando em um objetivo maior, resolvi jogar tudo para o alto e criar um projeto de personal trainer que atendesse dentro da casa das pessoas e que levasse a atividade física a todos aqueles que tem preguiça de ir à academia. Foi a decisão certa e em apenas 3 meses passei a ganhar 1000% a mais do que vinha ganhando. O objetivo de levantar capital estava indo bem e eu seguia em frente mesmo que não soubesse ainda quanto seria necessário para tirar a empresa do papel e transformá-la em realidade.

Como todo marinheiro de primeira viagem não fazia a menor ideia de como elaborar um plano de negócios, mas sabia que precisaria de um e logo comecei a pesquisar e procurar informações para colocar no papel os primeiros rabiscos da minha futura empresa.

Foi uma fase da minha vida em que aprendi uma importante lição: para alcançar um objetivo profissional, você deve buscar conhecimento, aprender e botar a mão na massa.

Muitas coisas poderiam ter servido de desculpa para não dar o pontapé inicial, mas a minha vontade era tamanha que eu não quis saber das dificuldades. De um jeito ou de outro iria passar por cima delas.

Trabalhei durante bastante tempo com muito afinco, porém em determinado momento percebi que a minha ideia de negócio estava mudando dentro da minha cabeça. Não queria mais abrir um simples Studio e fazer o mesmo trabalho que todo mundo fazia por aí. Queria ir além, queria inovar.

Assumi o fato de que as coisas estavam mudando e então resolvi voltar a investir em minha formação. Passei então a usar o dinheiro, que havia juntado para formar o capital da empresa, para me preparar como futuro dono de um negócio que queria ser. Participei de palestras, fui a seminários, fiz cursos… Estava entrando em uma nova fase na qual iria me aprofundar no empreendedorismo.

O ano decisivo

Enfim chegamos a meado de 2010, um período que eu jamais irei esquecer. Foi nesse momento que li meu primeiro livro sobre um grande empreendedor, Steve Jobs. O livro em questão era “A Cabeça de Steve Jobs”.

Fiquei completamente fascinado pela leitura e com o jeito Steve Jobs de trabalhar. Para mim, aquele livro foi como um despertar para um novo mundo.

É engraçado pensar que antes de ler esse livro eu jamais havia me interessado por esse tipo de leitura, ou melhor dizendo, qualquer tipo de leitura. Nunca fui um amante da literatura e sempre preferi ligar meu PlayStation 2 – vídeo-game que eu tinha na época – para me distrair à pegar um livro. Como as coisas mudam.

O fato é que tomei gosto pela leitura e depois de ler sobre Steve Jobs passei a querer ler um livro atrás do outro, sendo que, até o momento (agosto/2012), li mais de 70 livros (números esses que só tendem a aumentar). Nada mal para quem não tinha sequer o costume de encostar em livros desse e de qualquer tipo, não?

O fato é que passei a ter sede de conhecimento e usei e abusei dos livros como grande fonte de aprendizado. Livros são ótimos para liberar nossa criatividade, mas o único porém é que quanto mais você lê, mais insights criativos você tem. Essa parte da minha vida se chama turbilhão de ideias.

Descobrir minha paixão pelos livros foi uma grata surpresa, devo confessar. No entanto, não constava no script que minha mente fosse ganhar tamanha criatividade e fome pelo desenvolvimento de novas ideias.

Cada livro que eu lia parecia fornecer ao meu cérebro uma vitamina super extra forte, na qual o ingrediente principal era a criatividade para pensar em ideias malucas que pudessem fazer do meu negócio algo único. O que deveria ser bom acabou por me fazer perder o foco e se por um lado eu estava muito feliz por ter tantos insights criativos, por outro sentia a necessidade de seguir em frente com o projeto sem deixar que minha mente interferisse no processo.

Era uma situação um tanto quanto complicada, pois a cada livro e ideia nova que vinha em minha mente, mais eu mudava e transformava a imagem da empresa que eu queria ter, ou seja, em apenas 6 meses vi minha ideia de negócio mudar diversas vezes.

Claro que isso em um primeiro momento pode parecer uma coisa muito ruim, mas eu procurava ver as coisas sob um outro ponto de vista. Uma hora ou outra, de tanto pensar em maneiras de se criar um negócio, iria encontrar uma bela oportunidade.

O final de 2010 havia chegado e junto dele o Natal, uma data que jamais irei esquecer.

Estava querendo comprar o livro Vai Fundo de Gary Vaynerchuck, guru das mídias sociais, já fazia algum tempo. O livro trata justamente dessa questão de ganhar dinheiro fazendo o que a gente gosta e eu, obviamente, já queria embarcar nessa.

Lembro de ter comentado com minha namorada de que eu queria demais ler esse livro, mas que no momento não teria como comprar. Pode parecer que joguei uma indireta bem direta para ela, mas o fato é que realmente comentei por comentar. Para minha sorte ela não entendeu dessa forma e quando eu menos esperava, lá estava o livro chegando na minha casa.

Fiquei super feliz quando vi que o livro estava na minha mão e nem consegui esperar entrar em casa para rasgar o embrulho.

Para se ter uma ideia, minha vontade de ler o livro era tamanha que em apenas 3 dias devorei página por página. A leitura foi tão fascinante que depois de terminar a última página fiquei pensando em todas as palavras e dicas incríveis que acabara de gravar em minha mente. Não tive dúvida alguma, naquele momento, de que precisava fazer algo que me motivasse a construir um grande case de sucesso e para isso seria necessário me dedicar a algo que despertasse em mim um sentimento de paixão.

Foi pensando nisso que consegui visualizar algo que até então não tinha sequer passado pela minha cabeça. Era a hora de começar a construir a minha marca pessoal e o alicerce do meu futuro negócio. Um negócio cujo foco é ajudar outros empreendedores a desenvolverem os seus negócios. Em outras palavras, o meu negócio é ajudar você a fazer sucesso.

Hoje sou especialista em Administração de Empresas pela FGV, palestrante e empreendedor. Cofundador e Diretor da Negocioteca.